A eleição se aproximando, e eu não podia deixar de dar meu pitaco. Tenho ficado irritado nos últimos dias ao conversar com amigos, do futebol e colegas da empresa, pobres, que votam no candidato das elites. Até me afastei de alguns conhecidos por causa dessa eleição, preferindo não os escutar defendendo o retrocesso, principalmente em termos sociais, de um país que tem tudo para sobressair no cenário mundial.
Lembro do que me contou um conhecido, ao retornar de uma viagem à Escandinávia, sobre a Noruega, país que tem a 3ª renda per capita e o maior IDH do mundo. Após a desocupação nazista, numa terra destruída – em que até sua língua havia em parte sido alterada –, tiveram a sorte de encontrar uma gigantesca reserva de petróleo (a sétima, em tamanho) e conseguiram se reconstruir. Como? Basicamente investindo em programas de bem-estar social, em educação e saúde e fortalecendo sua moeda.
Pois bem, e o Brasil não tem hoje uma situação similar? Após um tsunami cardosista de 8 anos, temos provavelmente a maior reserva de petróleo de boa qualidade do mundo. E por que não seguir o modelo que dá certo?
Lembremos o que foi o governo PSDB – e o que é, desde 1982, aqui no estado de São Paulo. Fala-se sucesso do Plano Real, que teria ocasionado uma grande deflação, possibilitando que as pessoas fizessem suas compras. Ora, o plano econômico do FHC foi uma cópia da dolarização menenista, em que se tentou sustentar a paridade do real com o dólar a qualquer custo, elevando-se as taxas de juros a índices exorbitantes, mas que acabou por minar a economia local. Não nos esqueçamos que, em 2002, o real valia USD 4,00, os juros estavam na casa dos 30% e o país precisou pedir um auxílio ao FMI para não quebrar. A deflação foi um fenômeno mundial ocasionado pela globalização do mercado, não uma conquista do governo tucano. De qualquer forma, a política entreguista fortalecia o mercado de lá (as importações), e não o de cá; o índice Risco Brasil era tão alto, que poucas empresas queriam investir em nosso país (mais uma vez, alta taxa de juros, população sem poder de compra…). Bem diferente do cenário atual, não?
Houve a privatização das teles, em meio a uma turbulência de compra de favores, subtração de dinheiro, e vimos elas serem vendidas a preço de banana, com todo o seu potencial instalado. E o que temos hoje? O mais alto custo de telefonia do mundo, na mão de empresas estrangeiras (a mexicana Claro, a portuguesa Vivo, a italiana TIM, a espanhola Telefónica), prestando um serviço de péssima qualidade.
E quase mais nada alegam os defensores de Serra. Ah, mas não nos esqueçamos da pasta rosa (o mensalão tucano da reeleição), do estrago causado nas universidades públicas (pergunte a um professor da USP o que ele acha do governo PSDB no estado), da falta de emprego, da recessão, do aumento da criminalidade, do estouro absurdo da desigualdade social… a música mais tocada na época era “Bum Tchibum Tchibum, onde o rico cada vez fica mais rico, e o pobre cada vez fica mais pobre”. E os hospitais, meninas dos olhos do Vampiro, seguiam superlotados, sem equipamentos funcionando, remédios sendo distribuídos no sistema de QI (quem indica)…
No campo da corrupção, a grande diferença que vejo hoje é que há punição. Governadores foram depostos, senadores e deputados perderam seus mandatos, foi criado o Ficha Limpa (relatado por José Eduardo Martins Cardoso), ministros foram afastados, investigados pela PF e julgados… hoje, a irregularidade é oprimida. Antes, tapinhas nas costas.
Não são poucos os exemplos de grandes ações do governo Lula, com especial destaque ao social. Primeiro, essa luta para erradicar a fome em nosso país, com programas como o Bolsa Família. Segundo, o grande investimento em educação técnica e profissionalizante (inclusive afetando o local em que trabalho, o Senac, em que a reforma do “Sistema S” obrigou essas empresas a oferecerem 70% de cursos de modo gratuito), gerando uma melhora na qualidade do jovem que busca adentrar o mercado de trabalho. Ainda no campo da educação, a criação de faculdades em outros rincões do país e o programa ProUni, em que o Estado financia o ensino superior de famílias carentes. Terceiro, na saúde, vacinação das pessoas (inclusive controlando a epidemia de gripe H1N1), médicos visitando cidades que não têm acesso a serviços, construção de hospitais. Quarto, na segurança, vê-se o sucesso no Rio das UPPs, uma ação mais forte da Polícia Federal no combate a corrupção e na proteção de nossas fronteiras. Quinto, na economia, uma moeda mais forte, mais estável; o fim da dívida externa, um equilíbrio maior da dívida interna… E, por fim, a imagem do país no exterior, fortalecida por Lula, que de fato nos colocou como protagonistas no cenário mundial. Hoje não baixamos a cabeça para FMI, ONU; eles nos ouvem.
Disse a faxineira aqui da editora: “Pedro, hoje posso escolher a manteiga que vou comprar. Agora eu tenho opções.” E sem piadinhas com Marlon Brando…
Por tudo isso, acredito que estejamos no caminho certo e bem comandados. E assim quero continuar. Lutem para que o retrocesso direitista não volte ao poder. Lutem contra a campanha da baixaria, da arrogância, da elite paulistana. Ignorem essa baboseira religiosa e repudiem as denúncias eleitoreiras.